Originalidade


Ainda que sejas grande,
se caminhares entre mentes limitadas,
teu destino encolhe.
A média é confortável.
É copiosa.
Replica.
Repassa.
Gira a mesma roda,
como se movimento fosse progresso.
São cópias de cópias,
vidas coladas em moldes alheios.
E quando alguém chega “lá”,
não celebram —
reprogramam-se.
Transformam sucesso em modinha,
originalidade em tendência,
e fingem estar antenados
numa era que chamam de tecnológica.
Mas tecnologia sem consciência
é só dependência sofisticada.
Somos servos do próprio fracasso
quando imitamos sem refletir,
quando seguimos sem criar,
quando repetimos sem questionar.
A vida não pode ser
esse ciclo tendencioso
de eco e aparência.
Ela precisa ser majestosa.
Estilosa.
Corajosa.
Olhar para dentro
e encontrar o que ninguém viu.
Fazer diferente.
Fazer melhor.
Ser ousado.
Não esperar que a arte imite a vida,
nem que a vida imite a arte —
mas que ambas nasçam
da autenticidade de quem tem identidade.
Porque, no fim,
ser original não é rebeldia.
É responsabilidade.
E afinal de contas…
eu sou simplesmente assim.

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