Mundo Dos Idiotas

Vivemos tempos estranhos.

Não estranhos como o desconhecido que desperta curiosidade, mas estranhos como aquilo que, mesmo diante dos olhos, insiste em não fazer sentido.

Parece que, de repente — ou talvez não tão de repente assim — os idiotas saíram das sombras e tomaram seus lugares ao sol.
Não há mais distinção clara de espaço, classe ou posição.
Eles estão em todos os lugares.
Em todas as camadas.
Em todas as telas.

A internet virou palco.
E não um palco qualquer — um grande teatro onde a razão perdeu o roteiro e a coerência foi substituída por aplausos fáceis.
Ali, a superficialidade é celebrada, a confusão é compartilhada, e o vazio… bem, o vazio viraliza.

Ricos brincam de imaturidade como crianças presas na quinta série da vida.
Pobres, muitas vezes, assistem fascinados, como se o brilho alheio fosse suficiente para iluminar a própria existência.
E assim seguimos: uns encenando, outros aplaudindo.

Na política, discursos se esvaziam.
No futebol, a paixão se perde em espetáculo barato.
Na religião, a fé, por vezes, se mistura com vaidade e performance.
Tudo parece escorrer lentamente para um mesmo lugar — um clube invisível, mas cada vez mais lotado: o clube dos verdadeiros idiotas.

Os jovens expõem corpos como se buscassem, desesperadamente, provar que existem.
Adolescentes constroem personagens antes mesmo de descobrir quem são.
Senhoras rompem padrões não por liberdade, mas por confusão.
E no meio disso tudo, o “copiar e colar” se torna estilo de vida — ninguém cria, todos repetem.

Há uma decadência no ar.
Não apenas moral.
Não apenas espiritual.
Mas humana.

E os que possuem poder — dinheiro, fama, influência — toleram o restante não por empatia, mas por conveniência.
Uma convivência artificial, sustentada por interesses frágeis.

Então surge a pergunta, incômoda, quase inevitável:

Será que o fim da humanidade já começou?

Talvez não como um colapso repentino.
Mas como um desgaste silencioso.
Uma erosão diária de sentido, de profundidade, de consciência.

E é nesse ponto que tudo muda.

Porque, diante desse cenário, não adianta apontar apenas para fora.
Existe um espelho.

E ele não mente.

Olhar para ele exige coragem.
Mais do que julgar o mundo, exige julgar a si mesmo.
Mais do que criticar, exige consciência.

A pergunta final não é sobre os outros.

É sobre você.

Quando tudo parece perdido, quando o ruído é ensurdecedor e a superficialidade domina… resta apenas um questionamento verdadeiro:

Serei eu o próximo?

E essa resposta…
não está na internet,
não está nos outros,
não está no mundo.

Ela está naquilo que você escolhe ser —
quando ninguém está olhando.

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