Troféus da Derrota
Aos poucos, fui colecionando todos eles, sem exceção.
Meus esforços foram máximos, mas pareciam seguir contra a correnteza, sempre distantes da vitória.
Perdas, percas, desilusões…
Situações variadas, momentos distintos — tudo contribuiu para o acúmulo desses troféus invisíveis, que precisei carregar dentro de mim.
Às vezes, alguém até percebia algo em meu olhar, mas eu mantinha em segredo, sustentando sobre minha própria existência o peso de cada derrota.
(É verdade… a vida compensa em outros momentos.)
Mas a alma… a alma gritava por socorro — e, ainda assim, ninguém podia ouvir.
Ser vencedor não se define apenas pelas conquistas exibidas aos amigos, familiares, vizinhos ou nas redes sociais.
Ser vencedor é também carregar cada derrota, com seus próprios troféus e seus pódios ocultos.
É sobreviver na convalescença de sentir o peso de uma existência, por vezes, catastrófica e sofrida —
e ainda assim seguir, cambaleando, acreditando em um futuro incerto.
Os troféus da derrota são aqueles que vemos todos os dias, mesmo que ninguém mais enxergue.
Os outros troféus, os visíveis, podem até ser admirados por muitos…
mas só quem conhece o peso da caminhada, só quem já chegou onde muitos desejam estar, pode dizer com verdade:
Eu também carrego, dentro de mim, meus troféus de derrota.
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