INSTINTO
O instinto não falha.
Seja homem, mulher ou animal irracional, todos carregamos dentro de nós forças que nos despertam, nos conduzem e, muitas vezes, revelam quem realmente somos.
Adormecemos, acordamos e vivemos movidos por algo que nem sempre conseguimos explicar. O instinto está presente na vida, silencioso, persistente, quase invisível — mas sempre à espreita.
Todos somos, em algum momento, conduzidos por nossos instintos.
Até mesmo monges, padres e religiosos. Por mais rígidas que sejam as regras, por mais profundas que sejam a fé e a disciplina, existem momentos em que uma palavra escapa, uma reação surge, uma atitude se manifesta. Às vezes, por apenas alguns segundos, aquilo que estava escondido nos recônditos da alma se revela.
Não há como fugir completamente dos instintos.
Há quem diga que determinadas manifestações são consequência do pecado. Outros preferem atribuí-las à natureza humana, às circunstâncias ou às escolhas. Talvez exista um pouco de tudo isso.
Mas há algo ainda mais inevitável: o livre-arbítrio.
Escolhemos. Algumas vezes conscientemente. Outras, impulsionados por forças que sequer percebemos.
A verdade é que todos os animais — racionais e irracionais — carregam em seu DNA marcas profundas de sobrevivência, desejo, proteção, disputa e continuidade.
Uns são dominados pelo instinto sexual.
Outros, pela busca do poder.
Outros, pela vaidade, pelo reconhecimento, pelo dinheiro ou pela necessidade de dominar.
E há aquele instinto que talvez seja o mais primitivo de todos:
sobreviver.
Podemos educar nossos desejos.
Podemos controlar nossas palavras.
Podemos esconder nossas vontades.
Podemos construir personagens para o mundo.
Mas, em algum momento, o instinto encontra uma fresta.
E quando encontra...
ele se manifesta.
Talvez a grande questão não seja descobrir como eliminar nossos instintos — porque isso seria impossível —, mas compreender o que fazemos com eles quando aparecem.
Porque o instinto pode nos revelar.
Mas são nossas escolhas que dizem quem somos.
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