ESSÊNCIA
Esse é o título que, moralmente, me fez pensar profundamente sobre as pessoas.
O mundo das vantagens, das espertezas e das malandragens parece estar sempre pairando sobre os moldes da sociedade atual. E, sinceramente, poucas vezes tive a sensação de que a esperteza foi tão valorizada e a essência humana tão colocada à prova.
Hoje, ser bom muitas vezes se tornou sinônimo de ser bobo, idiota, ingênuo ou qualquer outro adjetivo utilizado por aqueles que aprenderam a enxergar a bondade como uma oportunidade de vantagem.
Vivemos no mundo das “espertezas”. E elas aparecem em todos os lugares: nos relacionamentos, no trabalho, nas amizades, nos negócios, na igreja que frequentamos e até na tão famigerada política.
A malandragem parece ter encontrado espaço em todos os ambientes.
Mas, apesar de tudo isso, eu não abro mão da minha essência.
Não quero trocar minha ingenuidade pela malícia.
Não quero trocar minha simplicidade pela arrogância.
Não quero trocar minha sinceridade pela conveniência.
E muito menos trocar minha bondade pela capacidade de passar por cima dos outros.
Não me nivelo a esse mundo contaminado por aproveitadores, canalhas e pessoas que enxergam o próximo apenas como uma oportunidade.
Minha luta não é para vencer essa gente utilizando as mesmas armas.
Minha luta é outra.
É conseguir atravessar esse tornado de momentos sem permitir que ele destrua aquilo que levei uma vida inteira para construir dentro de mim.
Quero preservar minha mente.
Meus valores.
Minha consciência.
Minha capacidade de acreditar nas pessoas sem precisar me tornar igual àqueles que me decepcionaram.
Talvez, para alguns, viver na malandragem seja uma forma viável de sobrevivência. Talvez a “esperteza” seja considerada inteligência por aqueles que aprenderam a medir a vida apenas pelas vantagens que conseguem obter.
Mas eu ainda acredito que existe outra maneira de viver.
E talvez existam pessoas que, mesmo vivendo em tempos difíceis, ainda carreguem dentro de si algo que não pode ser comprado, negociado ou corrompido.
A essência.
Não perdi a minha.
E não pretendo trocá-la por nada.
Porque, no final das contas, sobreviver a esse mundo não significa necessariamente tornar-se igual a ele.
Às vezes, sobreviver é justamente conseguir atravessá-lo sem deixar morrer aquilo que existe de mais verdadeiro dentro de nós.
Podem chamar de ingenuidade.
Podem chamar de fraqueza.
Podem chamar de idiotice.
Eu chamo de ESSÊNCIA.
E essa, eu não negocio.
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