Reino dos Afetos ( livro Amor )

Que estardalhaço é a vida quando as muralhas cedem à imprudência do Amor.
Nos dialetos do querer, a atmosfera se molda ao desejo de estar ao lado de alguém.
A afetividade, ferida pelos reinos distantes e infames, perdura apenas se ousarmos continuar a aventura.

Neste reino não há sensatez:
o objeto de expressão é o afeto — e, por vezes, ele nasce natimorto.
Tentei tantas vezes possuir esse reino que, em determinado momento, perdi minha própria função social de existir.
Desisti de mim pelos afagos raivosos que habitam a densidade do meu próprio ser.

Somos moldados por padrões que nos impõem trejeitos,
e, nesse reino, a trajetória da vida exige cuidados sutis.
Meu bem-estar soa difuso nesse clima de medo e desconfiança,
onde hormônios ardem à flor da pele.

Cansei das lutas insignificantes que as vicissitudes da imaginação me propuseram.
Perambulei por este reino dos afetos sem encontrar a leveza da alma que deseja simplesmente existir.

Em teoria, somos todos afetuosos,
mas, na densidade das máscaras, criamos expectativas que se frustram em outrem.
Talvez porque, no fundo, sejamos todos carentes de afeto —
e esse é o verdadeiro governo deste reino.

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